Dor na lateral do quadril ao correr ou subir escadas pode ser tendinopatia do glúteo. Entenda causas, sinais, tratamento e retorno seguro ao treino.
Tendinopatia do glúteo é uma das causas mais comuns de dor na lateral do quadril, especialmente em corredoras, caminhantes e pessoas que aumentaram carga de treino ou passaram a ficar mais tempo em pé. Muitas vezes ela aparece como uma dor “chata” do lado do quadril que piora ao correr, subir escadas, ficar muito tempo em pé ou deitar sobre o lado afetado.
O que acontece no corpo
Os tendões dos glúteos, principalmente glúteo médio e mínimo, ajudam a estabilizar a pelve e controlar o movimento do quadril a cada passada. Quando a demanda aumenta rápido demais, ou quando o controle do quadril não dá conta, o tendão começa a trabalhar no limite por tempo demais. Tendão não gosta de excesso repetido sem recuperação. Ele reage com dor e perda de capacidade.
Por que isso é tão comum em corrida
Na corrida, cada passada exige estabilidade lateral. Se o quadril perde controle, o tendão vira “o herói” tentando segurar tudo. O problema é que herói que trabalha sem folga vira inflamação, irritação ou degeneração tendínea (dependendo do caso).
Sinais comuns
- Dor na lateral do quadril (região do trocânter)
- Dor ao deitar sobre o lado afetado
- Dor ao correr, caminhar rápido ou subir escadas
- Dor ao ficar em pé por muito tempo
- Sensação de fraqueza/instabilidade do quadril
- Piora quando aumenta o volume do treino
O erro que mais piora tendinopatia do glúteo
Achar que “vai passar se eu continuar treinando”. Em alguns casos até passa por compensação, mas a tendência é voltar mais forte, principalmente quando o treino intensifica para uma prova. Tendão pode tolerar por um tempo. Depois ele cobra com juros.
Tratamento: o que funciona de verdade
- Ajuste de carga
Não é “parar para sempre”. É ajustar o que está irritando o tendão para ele recuperar capacidade. Em muitos casos dá para manter atividade com modulação: reduzir volume, evitar subidas, controlar intensidade e reorganizar a semana. - Fortalecimento específico e progressivo
O tendão melhora quando recebe carga bem dosada, não quando fica em repouso eterno. A ideia é fortalecer glúteo médio, glúteo máximo e cadeia posterior com progressão e boa técnica. - Controle do movimento
Não basta ter força. Precisa ter controle em movimento: estabilidade de pelve, alinhamento de quadril e joelho, padrão de passada e coordenação. - Pilates com fisioterapeuta como suporte
Pilates bem direcionado melhora controle de tronco e quadril, além de aumentar a tolerância do corpo a manter postura e estabilidade por mais tempo. Para corredores, isso costuma ser a diferença entre “aguento uma semana” e “sustento o ciclo inteiro”. - Massagem esportiva/liberação miofascial como estratégia de recuperação
Ajuda a reduzir rigidez e sobrecargas associadas (TFL, glúteo máximo, piriforme, lombar), melhora percepção corporal e recuperação, mas precisa estar dentro de um plano de carga e força. Não é “milagre”, é ferramenta.
Como voltar a correr com tendinopatia do glúteo
- Primeiro: reduzir o fator que irrita (volume, subida, ritmo forte)
- Depois: construir capacidade com força e controle
- Só então: retomar estímulos mais intensos
Regra prática
Se a dor aumenta a cada treino, se começa mais cedo, ou se muda sua forma de correr, você está alimentando a lesão.
FAQ
- Tendinopatia do glúteo é bursite trocantérica?
Às vezes as duas coexistem, mas nem toda dor lateral no quadril é bursite. O diagnóstico depende da história, sinais e testes funcionais. - Posso correr com dor no quadril?
Depende da intensidade e do comportamento da dor. Dor crescente e que altera a mecânica é sinal de ajuste imediato. - Alongamento ajuda?
Pode aliviar sensação, mas não resolve a causa. O que muda o jogo é progressão de carga e fortalecimento. - Quanto tempo demora para melhorar?
Varia. Em geral, semanas a meses dependendo do estágio, da consistência e do ajuste de treino. - O que piora muito?
Subidas, volume alto, tiros sem base, falta de recuperação e continuar com dor em piora.
Escrito por Vaneide Santana – Fisioterapeuta
CREFITO: 255880 – F



